quinta-feira, 18 de maio de 2017

Guardiões da Galáxia Vol. 2 (Critica)


Guardiões da Galáxia se mostrou um filme realmente digno de aplausos! 
Um paradoxo. Assim podemos definir este “Guardiões da Galáxia Vol. 2”. De um lado, temos o trabalho mais engraçado da Marvel Studios até o momento, com uma imensa profusão de gags (visuais ou verbais) por minuto. Mas também é o longa mais emocional da companhia e não serão raros os marmanjos que sairão dos cinemas escondendo as lágrimas com os óculos 3D (aliás, o filme é um dos raros casos atuais onde os 3D realmente funciona para alguma coisa!).

Pensando sobre filme, me veio à cabeça “Melinda & Melinda” de Woody Allen, obra que explorava justamente as fronteiras entre comédia e drama. E foi justamente isso que James Gunn fez aqui. Quanto mais cômica a trama se apresentava, mas despreparado o público ficou para os elementos dramáticos, plantados com precisão milimétrica no decorrer da narrativa, uma ópera espacial com recheio de Freud.

Alguns meses após a formação dos Guardiões, estes são contratados pela raça dos Soberanos para impedir que uma fera espacial se alimente de alguns artefatos. Quando o trabalho dá errado, a trupe é caçada pelos seus outrora empregadores e acaba encontrando o sedutor Ego (Kurt Russell, de “Velozes e Furiosos 8”), que se apresenta como o pai perdido do líder da equipe, Peter (Chris Pratt, de “Jurassic World”).

A partir deste ponto, vemos os demais Guardiões lidando com seus próprios problemas pessoais. Gamora (Zoe Saldana, de “Star Trek – Sem Fronteiras”) encara a nada saudável rivalidade de sua irmã, uma enlouquecida Nebulosa (Karen Gillan, de “Doctor Who”); o guaxinim geneticamente modificado Rocky (Bradley Cooper, de “O Lado Bom da Vida”) enfrenta seu medo de abandono com o peculiar auxílio do Saqueador espacial Yondu (Michael Rooker, de “The Walking Dead”); o destruidor Drax (Dave Bautista de “007 Contra Spectre”) vê na ingênua Mantis (Pom Klementieff, de “Oldboy – Dias de Vingança”) uma lembrança da família que perdeu; e o pequeno Groot (Vin Diesel, de “xXx – Reativado”) funciona como o filho fofinho do grupo e fonte de escape do carinho que eles tanto precisam.

Como um bom mágico, Gunn nos distrai com batalhas épicas, piadas engraçadas e uma trilha sonora repleta de nostalgia enquanto conta uma história sobre pais, sejam eles ausentes, de criação, presentes, tirânicos ou incompreendidos. Os conflitos internos dos personagens se tornam tão importantes para a narrativa quanto os duelos entre incontáveis naves espaciais com efeitos sonoros de fliperamas oitentistas.

Deste modo, por mais que o público se encante com o carisma de Peter Quill, com a segurança de Gamora ou com as gargalhadas com o corpo inteiro de Drax, o que marcará a todos são as fragilidades íntimas demostradas aqui por Chris Pratt, Zoe Saldana e Dave Bautista. E quem diria que Michael Rooker, cujo Yondu no primeiro filme não ia muito além de um personagem canastrão, roubaria tanto a cena e com diálogos tão impactantes?

O filme não deixa de ser um espetáculo visual. Temos uma direção de arte que cria mundos completamente distintos e igualmente incríveis, com a arquitetura do planeta de Ego se destacando, com influências indianas e orgânicas (vejam que o piso de um edifício central tem axiomas!). A fotografia sensacional se mostra saturada de cores que beiram a barreira do psicodélico, mas já de inicio, quando uma batalha absurda irrompe entre os Guardiões e o monstro, ela já dá o recado que o filme se focará em aspectos mais pessoais – e o dourado e o azul que refletem na pele de Peter espelham suas heranças conflitantes, mostrando que tudo foi feito de caso pensado. Todas as grandes cenas de ação da produção são absurdamente diferentes entre si, ao contrário de alguns blockbusters cujas setpieces repetitivas os tornam extremamente enfadonhos.

Outro fator que contribui com a versatilidade da produção é a sua trilha sonora. Em comparação com a fita que Peter escutava no primeiro filme, esse segundo volume é menos impactante e mais reflexivo, mas até mesmo isso faz sentido dentro da narrativa, até porque aquela fita foi entregue para Peter como um presente de sua mãe em estágio avançado de câncer. E sim, mais uma vez os flashbacks com Meredith Quill (Laura Haddock, da série “Da Vinci’s Demons”) se torna parte importantíssima da “alma” da produção, amarrando muito do arco entre Peter e Ego.

Superior ao filme original por explorar ainda mais profundamente os conflitos de seus personagens e dar aos heróis um desafio digno de suas habilidades, “Guardiões da Galáxia Vol. 2” se torna facilmente um dos mais memoráveis longas da Marvel Studios.

sábado, 4 de março de 2017

Freaks and Geeks: A melhor série jovem de todos os tempos




Há pouco mais de 15 anos estreava na TV o seriado “Freaks and Geeks” no Brasil ganhou o titulo de ABORRECENTES.

Talvez você já tenha visto ou pelo menos ouvido falar a respeito. Se a resposta for não para ambas as opções, isso é totalmente justificável. A produção durou apenas 18 episódios, transmitidos nas noites de sábado entre 1999 e 2000 pela emissora americana NBC, e foi exibida brevemente no Brasil no canal pago Multishow. E por um desses acidentes do destino que normalmente ocorrem em um cruel universo movido a números de audiência, o programa foi cancelado antes mesmo do final da primeira temporada.

Hoje é estranho pensar que uma série tão estrelada foi interrompida por falta de um público cativo. “Freaks and Geeks” é um verdadeiro “quem é quem” da comédia holywoodiana recente, a começar por seu produtor executivo, Judd Apatow, responsável por algumas das principais bilheterias do gênero nos últimos dez anos – “Ligeiramente Grávidos”, “Segurando as Pontas”, “O Virgem de 40 Anos”, “Superbad” e tantos outros carregam a assinatura característica dele (hoje, ele também é o produtor do sucesso “Girls”, de Lena Dunhan). Já o elenco principal trazia os ainda desconhecidos James Franco, Seth Rogen e Jason Segel, todos hoje bem sucedidos, onipresentes nas telas e com um punhado de filmes de Apatow no currículo. Paul Feig, ator, roteirista e idealizador da série, também fazia ali sua estreia nos bastidores televisivos. Mais tarde ele dirigiu episódios de “The Office” e “Arrested Development” e atualmente está produzindo a adaptação de “Peanuts” (Snoopy e Charlie Brown) para o cinema.

Foi uma combinação perfeita e que hoje em dia até parece infalível. Apatow precisava desesperadamente emplacar uma série. Feig tinha o enredo pronto de uma narrativa baseada nos fatos de sua adolescência suburbana no início dos anos 1980. Juntos, reuniram um elenco promissor e produziram episódios com forte apelo comportamental, que versavam sobre sexo, drogas, relacionamentos, costumes e inadequação, tudo permeado pelo espírito rock & roll que ainda resistia da década anterior. A sequência de abertura, embalada por “Bad Reputation” de Joan Jett, já dava pistas do que estava por vir. As atuações são irretocáveis, mas é na história e na ousadia com que abordava os temas que “Freaks…” se diferenciava de outros produtos para o público jovem.


Em se tratando de seriados televisivos, nenhum discutiu os percalços da adolescência de modo tão corajoso e descompromissado, lidando bem com clichês e estereótipos e sem apelar para a risada fácil. Como muito bem definiu o leitor @luiz_young, imagine algo bem no meio do caminho entre “Anos Incríveis” e “How I Met Your Mother”. Está muito claro que “F&G” não era uma série de humor, mas também não é possível chamá-la de drama. A história conta a rotina de dois grupos de jovens em Chippewa, cidade minúscula e fictícia próxima a Detroit. Os freaks eram os chapados e arruaceiros que matavam aula para fumar, encher a cara e vadiar. Os geeks eram os nerds desengonçados que tinham problemas em lidar com a pressão de crescer e aparecer em público. No meio dos dois lados está a personagem de Linda Cardellini, Lindsay, que se esforçava para ser aceita pela turma do fundão mas não conseguia esconder a faceta CDF.

“Freaks and Geeks” estreou em 25 de setembro de 1999, e os derradeiros episódios foram transmitidos em outubro do ano seguinte. A produção foi encerrada mesmo sendo um sucesso de crítica (chegou a ganhar o prêmio Emmy de melhor elenco e foi indicado por duas vezes a melhor roteiro), muito porque nunca conseguiu manter um público volumoso e fiel. O culto dos fãs órfãos se manteve ativo nos últimos 15 anos, sustentado por reprises, a disponibilidade no Netflix (nos EUA) e relançamentos em DVD e Bluray (o YouTube traz a maioria dos episódios na íntegra). Ao longo dos anos, os atores e produtores têm demonstrado orgulho do trabalho e até tentam explicar o fracasso. Críticos que aplaudem a série são unânimes em considerá-la injustiçada e à frente de seu tempo. E ainda há quem não se conforme com o fim abrupto – não só entre os fãs, mas também no elenco.


Há alguns dias, Seth Rogen, que fazia o “freak” Ken Miller, declarou que havia enfim encontrado e confrontado a pessoa responsável pelo cancelamento de “Freaks and Geeks”. No dia seguinte, o ator de “Segurando as Pontas” deu uma entrevista na qual relatou que o tal executivo da NBC tentou justificar a decisão, alegando que “Judd [Apatow] não escutava meus comentários” e que via como um problema o fato de os protagonistas sempre se darem mal.


Garth Ancier, o executivo em questão, acabou se pronunciando no Facebook após o primeiro comentário de Rogen. “Como eu falei, meu único comentário para Judd Apatow sobre a série era que tanto os freaks e/ou os geeks deveriam vencer os garotos cool – especialmente porque Apatow tem seguido esse conselho em todos os filmes de sucesso que fez depois”, escreveu. Ele acrescentou que “absolutamente odiou cancelar este programa. Era claro desde o começo que 'F&G' tinha um ótimo texto de Judd e Paul Feig e um elenco incrível. Foi uma decisão horrível que tem me atormentado para sempre… Mas era o programa menos assistido da emissora.”


Mais tarde, Ancier escreveu mais um post, dessa vez reclamando da reação de Rogen na entrevista: “Novamente, peço desculpas aos caras muito talentosos que fizeram essa série tão divertida de se assistir. Na minha próxima vida eu irei revivê-la na TV a cabo!” E assim, de um jeito agridoce, encerra-se definitivamente o assunto “Freaks and Geeks” na grande mídia – pelo menos até a série completar 20 anos. O culto dos fãs devotos, porém, tem tudo para seguir firme.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Hugh Jackman diz que filme é uma carta de amor aos fãs de Wolverine

"Este personagem está dentro de mim há 17 anos, mas foi neste filme que cheguei ao coração dele".

O ator Hugh Jackman (“Os Miseráveis“) finalmente está pendurando as garras de adamantium. Em Berlim para promover o lançamento mundial de “Logan”, seu último filme no papel de Wolverine, Jackman falou da sensação de dizer adeus ao papel que o tornou uma estrela global.

Eu amo este personagem. Não posso dizer que sentirei saudades dele porque ele não está indo a lugar algum. Ele sempre estará comigo”.

Ele disse ainda que, em “Logan”, Wolverine foi retratado da melhor e mais verdadeira maneira até hoje.

Este personagem está dentro de mim há 17 anos, mas foi neste filme que cheguei ao coração dele. Se for para dizer aos meus netos qual dos filmes assistir, eu direi que este é o filme que define o personagem. É uma carta de amor aos fãs de Wolverine, mas, além disso, eu queria fazer um filme para que pessoas que nunca assistiram a um filme baseado em HQ pudessem vê-lo e tirar algo desta experiência”, completou.

A trama do novo filme se passa no futuro, com um Logan mais velho e com suas habilidades e fator de cura mais fracos. Logan terá o Senhor Sinistro e Donald Pierce como vilões. Sinistro será interpretado por Richard E. Grant (“Drácula de Bram Stoker”), enquanto Pierce será interpretado por Boyd Holbrook (da série “Narcos”). O elenco conta também com Patrick Stewart (“X-Men: Dias De Um Futuro Esquecido”), como o Professor Xavier.

Com direção de James Mangold (“Wolverine: Imortal”), “Logan” tem data de estreia marcada para 2 de março de 2017.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Guardiões da Galáxia Vol. 2 | Sequência tem novas imagens divulgadas

O site Comic Book divulgou novas imagens de “Guardiões da Galáxia Vol. 2”. A maior parte delas mostra, em alta resolução, pontos marcantes do trailer. Confira:














































A sequência se passa 6 meses após o primeiro filme, onde os heróis embarcam em mais uma aventura intergalática e lutam para manter a família reunida, enquanto descobrem mistérios sobre pai de Peter Quill.




Assista ao primeiro trailer de Guardiões da Galáxia Vol.2




Retornam para a continuação Chris Pratt (“Sete Homens e Um Destino”) como Peter Quill, Zoe Saldana (“Star Trek: Sem Fronteiras”) como Gamora, Vin Diesel (“Velozes e Furiosos 7”) na voz de Groot, Bradley Cooper (“Pegando Fogo”) como Rocket e Michael Rooker (“The Walking Dead”) como Yondu.

Com roteiro e direção de James Gunn, “Guardiões da Galáxia Vol. 2”estreia no Brasil em 27 de abril de 2017.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Rogue One – Uma História Star Wars: Isso e GUERRA nas estrelas




Por fugir dos aspectos mais fantasiosos e mitológicos da franquia “Star Wars”, este “Rogue One” pode ser considerado um filme “menor” (entre muitas aspas), mas é justamente isso que o torna mais humano e impactante dentro da saga.



Este “Rogue One – Uma História Star Wars” é um capítulo bem diferente da saga espacial criada por George Lucas em 1977, tanto em tom, quanto em ritmo. Superficialmente, o longa dirigido por Gareth Edwards (“Godzilla”) e escrito por Chris Weitz (“Um Grande Garoto”) e Tony Gilroy (trilogia “Bourne”), a partir de um plot de John Knoll (supervisor de efeitos visuais de praticamente todos os filmes da saga) e Gary Whitta (“O Livro de Eli”), é mais acelerado e tem cenas de ação mais intensas e urgentes que os episódios numerados da série, com a violência que acontece dentro da narrativa possuindo mais peso, o que deve afastar as crianças do filme.

Em uma análise mais detalhada, a ruptura deste spin-off em relação aos filmes principais é mais profunda. A despeito de se passar no mesmo universo que os episódios I a VII já lançados, a abordagem temática de Edwards, Weitz e Gilroy é radicalmente diferente.

Na trama, que se passa imediatamente antes do longa original de 1977, Jyn Erso (Felicity Jones), uma rebelde criminosa, é recrutada pela Aliança para contatar o extremista Saw Gerrera (Forrest Whitaker), que supostamente teria informações sobre a nova superarma imperial, a Estrela da Morte, informações estas obtidas com o cientista imperial Galen Erso (Mads Mikkelsen), pai da garota e um dos responsáveis pela criação da dita arma, nada menos do que a famigerada Estrela da Morte.

Jyn, ao lado do Capitão Anders (Diego Luna) e do fiel droide deste, K-2SO (Alan Tudyk), acabam tendo a missão de roubar os planos da Estrela da Morte, tendo a ajuda do piloto desertor Bodhi Rook (Riz Ahmed), do guerreiro cego Chirrut Îmwe (Donnie Yen) e do parceiro deste, Baze Malbus (Wen Jiang).

Sai a fantasia encrustada na Jornada do Herói de Joseph Campbell e nos filmes de samurai de Akira Kurosawa (embora a cinessérie japonesa sessentista “Zatoichi” encarne em Chirrut) e entra uma história de guerra nos moldes de “Os Doze Condenados” (Robert Aldrich, 1967), “Os Canhões de Navarrone” (J. Lee Thompson, 1962) e até mesmo toques de “Exército das Sombras” (Jean-Pierre Melville, 1969) e “Bastardos Inglórios” (Quentin Tarantino, 2009).

Com essa mudança de paradigma, embora o Império continue retratado como o mal absoluto, surgem tons de cinza na antes imaculada Aliança Rebelde, que acabam por enriquecer esse movimento de resistência, seus sacrifícios e ideais.

O arco narrativo de Jyn e sua transformação de cínica insurgente em uma esperançosa rebelde sustenta o roteiro e Felicity Jones o vende muito bem para o público. A protagonista viu seu mundo ruir quando criança por conta da guerra contra o Império e viu seus pais desistirem de uma vida de luxo por enxergarem a verdade por trás do governo de Palpatine e compartilha dessa paixão justamente por saber

Do mesmo modo, o solitário Capitão Anders de Diego Luna surge realmente como um soldado que, outrora idealista, teve de sacrificar muito de sua humanidade por uma causa que o acompanha desde a infância. Suas interações com Jyn e com o dróide K-2SO ressaltam o quanto, mesmo em um nível subconsciente, Anders busca uma conexão. O autômato vivido por Alan Tudyk, aliás, funciona como personagem de ação e um providencial alívio cômico, com algumas piadas que amenizam o clima sóbrio do filme, sempre de maneira orgânica dentro da narrativa.

A dupla Chirrut Îmwe e Baze Malbus nos mostra o lado religioso da Força, com os antigos guardiões do templo Jedi representando o crente (inclusive com sua oração ou mantra) e aquele que perdeu a fé, sem contar que o guerreiro cego vivido por Donnie Yen constantemente rouba o filme em suas cenas de ação. O carismático Bohdi de Riz Ahmed possui uma história interessante, por ser um nativo de Jedha (daí seus traços não-caucasianos), recrutado pelo Império que desertou para a Aliança, enfrentando a desconfiança (e até mesmo tortura) para provar sua mudança de lado.

Forrest Whitaker vive um personagem acometido pela loucura de uma guerra tão longa, que lhe roubou não só boa parte do seu corpo, mas também de sua alma, conforme demonstra não só sua aparência física, mas suas ações e voz, tudo resumido na dor quando ele fala que sobrou tão pouco dele para morrer. O sempre competente Mads Mikkelsen é efetivo em todas as suas cenas e se mostra (conscientemente) contido do ponto de vista emocional, o que acrescenta uma profundidade a mais para o seu complexo Galen Erso – e se há uma constante em todos os filmes da saga Star Wars é na complexidade das relações paternas, tradição honrada por Mikkelsen e Felicity Jones.

Do lado imperial, o diretor Krennic de Ben Mendelsohn se mostra interessante justamente por ser menos poderoso (e portanto mais ambicioso) que os figurões imperiais, como Darth Vader (novamente com a imponente voz de James Earl Jones) e o Governador Tarkin (Peter Cushing revivido via computação gráfica). Mendelsohn encarna com perfeição a desumanidade de Krennic, em sua busca por ser reconhecido por seus líderes e é incrível notar quão bem o ator expressa a constante frustração do seu personagem.

Sobre a recriação de Peter Cushing, o ator é citado nos créditos (junto de seu título de Ordem do Império Britânico). No entanto, por mais competente que seja sua versão digital e quão incrível seja rever o único personagem além do Imperador a ser respeitado por Darth Vader, sua presença se torna uma distração em um longa tão mais pé no chão e onde boa parte das criaturas são feitas através de efeitos práticos. É estranho ver um personagem humano parecer mais artificial que, por exemplo, um almirante mon-calamari, e talvez tivesse sido mais feliz a escalação de um ator parecido com Cushing para o papel, como foi feito com a irlandesa Genevieve O’Reilly, que encarnou com perfeição a senadora rebelde Mon Mothma, vivida nos anos 1980 pela atriz Caroline Blakiston.

Se as alegoria políticas na trilogia original eram quase inofensivas e se mostravam (em sua maioria) relativamente sutis na trilogia de prequels e na nova trilogia aberta por “Star Wars – O Despertar da Força” (J.J. Abrams, 2015), aqui elas surgem com força – sem trocadilho – total, por vezes de maneira surpreendente.

O visual e os métodos dos rebeldes extremistas de Saw Gerrera remetem aos jihadistas de facções, como a al-Qaeda ou o Estado Islâmico, sem contar o fato de que seu quartel general é em uma caverna. O fato do planeta Jedha, onde eles organizam sua resistência, também ser uma área sagrada para os (quase) extintos Jedi também parece uma nada sutil referência a Jerusalém, embora visualmente ele lembre mais a Bagdá pós-Saddam, especialmente na ocupação por tropas militares estrangeiras.

Ademais, mesmo que o racista Império (formado exclusivamente por homens brancos, em contraste a uma multiétnica Aliança Rebelde) seja o nazi-fascismo da Galáxia muito distante encarnado, algumas de suas atitudes remetem sim aos Estados Unidos. Ora, ver uma superpotência usando uma arma de destruição em massa em duas cidades habitadas como meio de intimidação lembra demais o uso das bombas atômicas pelos EUA contra o Japão no fim da Segunda Guerra Mundial. Até mesmo o isolamento que os cientistas imperiais se submetem remete sim ao Projeto Manhattan que deu origem à Bomba-A.

Essa maior complexidade no pano de fundo da trama elaborado por Weitz e Gilroy se reflete na condução da narrativa de Edwards. O cineasta, ao lado do diretor de fotografia Greig Fraser (não por acaso, também responsável pela fotografia de “A Hora Mais Escura”). Ao colocar personagens mais falíveis e humanos ao invés de arquétipos mitológicos no centro da ação, Edwards também aproximou o público do sofrimento e da luta destes.

A direção de arte, incrível, segue fielmente os preceitos realistas do longa original (até mesmo na recriação de certos cenários partilhados pelas duas histórias) e é possível ver o gasto em cada objeto visto em cena. Ademais, ouvindo a reclamação de alguns dos fãs sobre a falta de inovação nos planetas mostrados em “O Despertar da Força”, os mundos aqui retratados são bem diferentes entre si e daqueles vistos anteriormente na série, com destaque para Jedda e o tropical mundo de Scariff (que remete ao front do pacífico da Segunda Guerra Mundial).

Assim, as batalhas que vemos em cena, sejam em terra, ar ou espaço são mostradas de maneira mais brutal e dolorosa, com referencias do mundo real sendo usadas quando possível. Até mesmo o impacto dos tiros da Estrela da Morte, vistos de maneira despersonalizada e plasticamente interessante em “Guerra nas Estrelas” (1977, George Lucas) e “O Retorno de Jedi” (1983, Richard Marquand) – algo inclusive mencionado por Krennic -, aqui é colocado do aterrador ponto de vista da população-alvo, dando ao público uma das cenas mais dolorosas e marcantes do filme, no abraço de dois personagens que encaram a inevitabilidade do fim.

Apenas em uma breve e chocante cena, onde o foco é um personagem realmente mitológico, Edwards e Fraser quebram seu retrato quase documental das batalhas e o diretor retorna para sua filmografia mais voltada para o terror fantástico, naquele que já nasceu como um dos mais impactantes momentos da saga (e um dos melhores do cinema americano em 2016).

Este “Rogue One – Uma História Star Wars” não deve ressoar tanto nos fãs mais jovens por ser carregado demais, mas é exatamente a prequel que aqueles que cresceram (e essa é a palavra-chave) com a série esperavam, demonstrando com sucesso o potencial que esses derivados possuem de explorar o vasto universo da Saga por outros pontos de vista fora da família Skywalker. Recomendado.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Homem-Aranha: De Volta ao Lar | Veja o primeiro trailer do novo filme do herói!



A Marvel Stúdios finalmente divulgou o primeiro trailer de “Homem-Aranha: De Volta ao Lar“, mostrando o que devemos esperar do novo filme do herói, agora interpretado por Tom Holland. Veja abaixo legendado e dublado:



O primeiro filme do herói dentro do Universo Cinemático da Marvel mostrará um Peter Parker de 15 anos, ainda na escola, tendo que se dividir entre sua vida normal e o dever de salvar Nova York dos possíveis perigos.

Além de Holland, o elenco conta com Marisa Tomei (“A Grande Aposta“), Michael Keaton (“Spotlight: Segredos Revelados“), Donald Glover (da série “Community”), Martin Starr (da série “Silicon Valley”) e Logan Marshall-Green. Robert Downey Jr. também aparecerá no filme como Tony Stark.

Tom Holland também está acompanhado de Zendaya, Tony Revolori, Jacob Batalon e Laura Harrier, que farão seus amigos de escola, e desde a San Diego Comic-Con os atores estão divulgando o filme juntos.

“Homem-Aranha: De Volta ao Lar” chega aos cinemas em 6 de julho de 2017.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Prepare-se para um filme fantástico - (Capitão Fantástico)


A Universal Pictures divulgou um vídeo inédito de “Capitão Fantástico”, o novo filme protagonizado por nosso eterno Aragorn, Viggo Mortensen (“Senhor dos Anéis”), que traz depoimentos do astro, do ator Frank Langella (“Frost/Nixon”) e do diretor e roteirista estreante Matt Ross.

Para Mortensen, o filme aborda a paternidade de uma maneira diferente. O ator falou:
“A primeira vez que eu li o script, lembro-me de ter rido tanto quanto chorado. Este parece ser um filme muito especial. Ele tem muitos momentos que fazem você pensar…”

Já Ross revela que a ideia para o filme surgiu com a paternidade:
“Perguntava a mim mesmo que tipo de pai eu seria, e como eu seria pai nos EUA de hoje”, revela.

Com estreia marcada para 22 de dezembro no Brasil, a produção conta a história de um pai que se dedica ao máximo a transformar seus seis filhos em adultos extraordinários. Isolados da sociedade, eles serão forçados a abandonar seu querido paraíso por causa de uma tragédia. A partir desse momento, a jornada para o mundo exterior passa a ser desafiadora, e a ideia do que é ser pai é colocada à prova.

Assista ao trailer do filme: