terça-feira, 26 de setembro de 2017

It: A Coisa - Crítica



E um ótimo filme, Os momentos do longa que mais causam pavor não estão na ameaça que se veste de palhaço, e sim nos traumas extremamente próximos da nossa realidade.

Bill Skarsgård é um ótimo Pennywise e as cenas em que ele aparece são brutais, repletas de sangue, vísceras e membros decepados. Entretanto, ele não é realmente o foco desse primeiro filme e, comparado aos terrores de enfrentar uma infância com abusos sexuais, bullies e abandono parental, a ameaça do palhaço acaba não sendo o centro de todo o pânico, mesmo que o principal alvo dele sejam justamente crianças.

O filme não abusa de sustinhos fáceis e torna algumas das ameaças do livro mais próximas e realistas. Foi feito um bom trabalho para borrar a linha entre indivíduos que foram influenciados pela presença da Coisa — e, portanto, mais dispostos a fazer algo para machucar alguém –, e ações de pessoas naturalmente cruéis.

A trama gira em torno de sete crianças que se sentem excluídas por serem diferentes, cada uma a sua maneira. É necessário apresentar os membros do Clube dos Perdedores, com seus medos e personalidades distintas, para gerar empatia. E, por essa razão, o primeiro ato é um tanto apressado. Depois disso, o ritmo fica mais agradável e o clima mais tenso.Clube dos Perdedores reunido: Mike, Richie, Bev, Bill, Eddie, Stan e Ben

O elenco infantil tem o carisma necessário para fazer com que você se importe com cada um deles, mesmo os personagens que aparecem menos, como Mike Hanlon (Chosen Jacobs). É impossível não torcer por eles quando as situações terríveis acontecem ou quando os antagonistas humanos tentam fazer algo contra os jovens.

O destaque, no entanto, fica por conta de Beverly Marsh (Sophia Lillis), a única garota do grupo. A jovem tem as cenas mais pesadas de todas, e consegue entregar todo o desespero necessário em cada uma delas. E a nova versão da cena do banheiro, que também apareceu na minissérie de 1990, faz a anterior parecer brincadeira de criança.


Mais do que um simples filme de terror, It: A Coisa é um filme sobre amadurecimento, luto, medos e amizade.

Em contraste a tudo isso, It: A Coisa consegue encontrar uma leveza inesperada ao retratar a amizade do Clube dos Perdedores. Todos são excluídos, mas eles se entendem, se respeitam e o mais importante: descobrem como a união deles é necessária para superar qualquer dificuldade e também para entenderem mais sobre si mesmos.

O longa consegue até encaixar alguns momentos de humor, com as piadas ruins de Richie Tozier (Finn Wolfhard), para não deixar o espectador esquecer que os protagonistas ainda são apenas crianças.

Mais do que um simples filme de terror, It: A Coisa é uma história sobre amadurecimento, luto, medos e amizade. Ele fala sobre as dores de abandonar a infância, às vezes até prematuramente, e encarar a dura realidade de que o mundo não é um lugar seguro, com ou sem Pennywise. Toda a parte do horrorlovecraftiano, no entanto, pode ficar para a continuação.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Tomb Raider: A Origem - Trailer do filme é divulgado


Longa chega aos cinemas em março de 2018

Após o lançamento do primeiro pôster oficial, foi divulgado, na madrugada desta quarta-feira (20), o primeiro trailer completo do reboot “Tomb Raider: A Origem“, estrelado por Alicia Vikander (“A Luz entre Oceanos”). Aperte o play:




O longa tem ainda no elenco o ator Dominic West (“Jogo do Dinheiro”) como pai de Lara Croft, Walton Goggins (“Os Oito Odiados”) como o vilão, Hannah John-Kamen (da série “Black Mirror”) como a melhor amiga de Lara e Daniel Wu (“Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos”) como Lu Ren, capitão de um navio que vai ajudar a protagonista em sua jornada.

Dirigido pelo norueguês Roar Uthaug (“The Wave”), “Tomb Raider: A Origem” está previsto para chegar aos cinemas no dia 16 de março de 2018.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Se ‘Caverna do Dragão’ virasse filme, quem seriam os mais cotados para estrelar?





Se tivesse um filme do desenho “Caverna do Dragão” quem seriam os mais cotados para os papéis?

Durante muito tempo, o jornalista que vos escreve, esteve pensando em uma maneira de falar para vocês leitores sobre um de seus desenhos preferidos durante a infância, “Caverna do Dragão”.

Após muito relutar e analisar como esse sucesso dos anos 80 (que teve três temporadas e 27 episódios, sem um final) poderia correr em paralelo com o mundo do cinema, um dia, a lâmpada acendeu em uma madrugada.

Já que nenhum produtor se mobilizou (ou se mobilizou e não se concretizou) para fazer a versão cinematográfica desse clássico, vamos tentar dar uma ajudinha, pensando em quem seria os atores, o diretor, o roteirista que se encaixariam como uma luva nos carismáticos personagens dessa grande história.

Lembrando que essa não é, nem de longe, uma ideia tão original assim. Se você procurar pela internet, verá outros sites e blogs fazendo algo parecido. Mas prometo a vocês que os nomes abaixo são frutos de grande pesquisa feita por esse maluco ligado à sétima arte. Antes de analisarmos os personagens e seus melhores artistas para interpretá-los, vamos contar rapidamente a história para quem não conhece. Sim, é possível que alguém não conheça!

A curta sinopse (que você encontra parecida em qualquer site que fala sobre o seriado) é a de um grupo de jovens amigos que estão num parque de diversões e acabam embarcando em uma montanha russa.

Durante esse passeio, um portal se abre e leva-os à um outro mundo. Nesse outro lugar, ganham roupas e armas mágicas de um anão velhinho chamado Mestre dos Magos. Após o susto e de se estabilizarem no novo ambiente, buscam desesperadamente o caminho de volta para casa. Mas não é tão fácil assim, aos poucos vão descobrindo muitas dificuldades, além, de volta e meia entrarem em atrito com o vilão da série,Vingador, um ser maléfico que deseja dominar por completo esse novo lugar em que eles estão.

Lembrando que são crianças entre 12 e 17 anos.

Hank
O líder do grupo. Nutre uma paixão por Sheila e se sente muito culpado por ter convencido seus amigos a entrar no carrinho da montanha russa. Seu poder é um arco que cria flechas energéticas e muitas vezes até corda esse arco vira.

Quem deveria interpretá-lo nos cinemas: Joel Courtney
Joel Courtney (Monterey, 31 de janeiro de 1996) é um ator norte-americano, mais conhecido por seu papel de Joseph "Joe" Lamb no filme Super 8, que recebeu elogios da crítica e um Saturn Award. Ele também interpretou Peter Moore no seriado televisivo The Messengers, transmitido pela The CW.

Eric
Com sua roupa de cavalheiro, Eric, é um dos mais chatinhos personagens (isso não quer dizer que não o adoramos). Especialista em colocar o grupo em perigo, muito por sua arrogância e egoísmo. Seu poder é um escudo que protege uma pequena área ao seu redor quando acionado.

Quem deveria interpretá-lo nos cinemas: Skandar Keynes





Alexander Amin Casper " Skandar " Keynes ( / k eɪ n z / , 5 Setembro de 1991) é um ex-ator Inglês. Ele é mais conhecido por estrelar como Edmund Pevensie na série de filmes Chronicles of Narnia desde 2005. Ele apareceu nas três parcelas, The Lion, the Witch and the Wardrobe , Prince Caspian e, mais recentemente, The Voyage of the Dawn Treader , que foi lançado em 10 de dezembro de 2010.


Diana

A grande atleta do grupo, elasticidade é o seu forte, ajuda muito ao grupo com suas acrobacias. É uma das personagens mais confiantes da trama e possui como poder um bastão que é muito usado em acrobacias e que regenera caso quebrado.



Quem deveria interpretá-la nos cinemas: Laura Harrier

Laura Harrier (Chicago, 28 de março de 1990) é uma atriz e modelo americana. Em 2017, a atriz interpretará o papel de Liz Allen em Spider-Man: Homecoming.




Sheila

É irmã de Bobby. Sempre procura proteger o corajoso irmãozinho das confusões que o mesmo se mete. Seu poder é uma capa que possui um capuz o que da invisibilidade quando preciso.

Quem deveria interpretá-la nos cinemas: Chloë Grace Moretz



Chloë

Chloë Grace Moretz é uma atriz norte-americana. Começou sua carreira aos seis anos de idade, tendo participado dos filmes The Amityville Horror, Days of Summer, Diary of a Wimpy Kid, Kick-Ass, Let Me In, Hugo e Dark Shadows.

Presto

A insegurança em pessoa. Tem um dos poderes mais interessantes: um chapéu de feiticeiro. Pena que o jovem de óculos não controla direito o poder recebido se atrapalhando em muitas situações. É um típico nerd que tem em todo grupo de jovens.

Quem deveria interpretá-lo nos cinemas: Asa Butterfield



Asa Bopp Farr Butterfield é um ator britânico em atividade desde 2006. Tornou-se conhecido por interpretar o pequeno Bruno em " Menino do Pijama Listrado(2008). Também fez o traidor Mordred em Merlin (2008–2011) e o difícil-de-lidar Norman Green de Nanny McPhee and the Big Bang (2010). Butterfield se consagrou como o personagem-título do filme 'Hugo' (2011). Butterfield também retratou Ender Wiggin em " Ender's Game " Em 2016 estrelou como Jacob Portman na adaptação feita por Tim Burton do livro de fantasia e ficção juvenil Miss Peregrine's Home for Peculiar Children por Ransom Rigg Mais recentemente atuou como Gardner em "The Space Between Us" ( O Espaço Entre Nós )


Bobby

O mais jovem dos amigos, sem dúvidas, o mais corajoso do grupo. Com um temperamento extremamente inconseqüente, cansa de colocar a todos em perigo. É o irmão caçula de Sheila. Seu poder é um tacape (igualzinho ao usado pelo “Capitão Caverna”) muito poderoso que ajuda e muito o grupo a sair de enrascadas (muitas vezes em situações criadas por ele mesmo).

Quem deveria interpretá-lo nos cinemas: Dean-Charles Chapman





Dean-Charles Chapman (nascido em 7 de setembro de 1997) é um ator inglês. Chapman é conhecido por seu retrato do protagonista Billy Elliot na produção teatral do West End de Billy Elliot the Musical . Ele também retratou o papel principal de Stanley Brown na comédia de CBBC The Revolting World de Stanley Brown e estrelou como Tommen Baratheon na quarta , quinta e sexta temporadas da série de drama da HBO , Game of Thrones .


Mestre dos Magos

Figura presente em quase todos os episódios, é uma espécie de guia do grupo. Figura bastante controversa até pelos fãs da série. Não se sabe se ele está ali para ajudar mesmo ou para atrapalhar (como ocorre em alguns episódios). Tem o poder de irritar os jovens quando fala algo ambíguo e desaparece instantaneamente.

Quem deveria interpretá-lo nos cinemas: Bruno Ganz




Porque: Bruno sabe muito bem dar a carga de mistério que o personagem precisa. Mostrou seu talento em filmes extremamente difíceis e papéis desafiadores. Tenha a certeza: daria muito certo! Talvez, até um Oscar acabaria na estante da casa dele.


Vingador

Como toda boa história tem que ter um vilão emblemático, no caso de “Caverna do Dragão” o papel fica com Vingador. Com muitas habilidades (todas usadas para o mal), seu único objetivo é possuir as armas poderosas do grupo de jovens e ampliar seus poderes no reino.

Quem deveria interpretá-lo nos cinemas: Tom Hiddleston





Quem deveria ser o roteirista: J.J. Abrams

Quem deveria assinar a trilha sonora: Alexandre Desplat

Quem deveria ser o diretor: Peter Jackson

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Deadpool 2 | Cable aparece ferido e sem braço em novas imagens



Uma nova foto do personagem Cable (Josh Brolin – “Ave, César!”) em “Deadpool 2”, divulgada pelo site Comic Book Movie, mostra o combatente ferido e sujo, provavelmente após uma luta. Veja:

Logo após, uma nova imagem foi revelada em um plano um pouco mais amplo, mostrando, inclusive, o personagem sem o braço esquerdo. Cable possui um braço biônico implantado no futuro, o que leva a crer que uma parte do seu passado também será mostrada no longa.


Em uma entrevista recente, o diretor David Leitch (“Atômica”) revelou que o personagem de Josh Brolin terá uma ótima química com o mercenário tagarelo, parecida com a dos quadrinhos.

A história de “Deadpool 2” ainda não foi revelada, porém, o elenco conta com os retornos de Ryan Reynolds no papel principal, Míssil Adolescente Megassônico (Brianna Hildebrand) e Colossus (Andre Tricoteux, “Warcraft”), além das estreias dos personagens Dominó (Zazie Beetz, de “Wolves”) e do próprio Cable.

O longa tem estreia prevista para o dia 1º de junho de 2018.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Aquaman - Novas imagens do set mostram detalhes dos atlantes



Longa tem sua estreia prevista para 21 de dezembro de 2018.


O site Coming Soon divulgou novas fotos do set de “Aquaman” apresentando detalhes das armaduras que serão utilizadas pelos atlantes no filme. Confira:



quinta-feira, 18 de maio de 2017

Guardiões da Galáxia Vol. 2 (Critica)


Guardiões da Galáxia se mostrou um filme realmente digno de aplausos! 
Um paradoxo. Assim podemos definir este “Guardiões da Galáxia Vol. 2”. De um lado, temos o trabalho mais engraçado da Marvel Studios até o momento, com uma imensa profusão de gags (visuais ou verbais) por minuto. Mas também é o longa mais emocional da companhia e não serão raros os marmanjos que sairão dos cinemas escondendo as lágrimas com os óculos 3D (aliás, o filme é um dos raros casos atuais onde os 3D realmente funciona para alguma coisa!).

Pensando sobre filme, me veio à cabeça “Melinda & Melinda” de Woody Allen, obra que explorava justamente as fronteiras entre comédia e drama. E foi justamente isso que James Gunn fez aqui. Quanto mais cômica a trama se apresentava, mas despreparado o público ficou para os elementos dramáticos, plantados com precisão milimétrica no decorrer da narrativa, uma ópera espacial com recheio de Freud.

Alguns meses após a formação dos Guardiões, estes são contratados pela raça dos Soberanos para impedir que uma fera espacial se alimente de alguns artefatos. Quando o trabalho dá errado, a trupe é caçada pelos seus outrora empregadores e acaba encontrando o sedutor Ego (Kurt Russell, de “Velozes e Furiosos 8”), que se apresenta como o pai perdido do líder da equipe, Peter (Chris Pratt, de “Jurassic World”).

A partir deste ponto, vemos os demais Guardiões lidando com seus próprios problemas pessoais. Gamora (Zoe Saldana, de “Star Trek – Sem Fronteiras”) encara a nada saudável rivalidade de sua irmã, uma enlouquecida Nebulosa (Karen Gillan, de “Doctor Who”); o guaxinim geneticamente modificado Rocky (Bradley Cooper, de “O Lado Bom da Vida”) enfrenta seu medo de abandono com o peculiar auxílio do Saqueador espacial Yondu (Michael Rooker, de “The Walking Dead”); o destruidor Drax (Dave Bautista de “007 Contra Spectre”) vê na ingênua Mantis (Pom Klementieff, de “Oldboy – Dias de Vingança”) uma lembrança da família que perdeu; e o pequeno Groot (Vin Diesel, de “xXx – Reativado”) funciona como o filho fofinho do grupo e fonte de escape do carinho que eles tanto precisam.

Como um bom mágico, Gunn nos distrai com batalhas épicas, piadas engraçadas e uma trilha sonora repleta de nostalgia enquanto conta uma história sobre pais, sejam eles ausentes, de criação, presentes, tirânicos ou incompreendidos. Os conflitos internos dos personagens se tornam tão importantes para a narrativa quanto os duelos entre incontáveis naves espaciais com efeitos sonoros de fliperamas oitentistas.

Deste modo, por mais que o público se encante com o carisma de Peter Quill, com a segurança de Gamora ou com as gargalhadas com o corpo inteiro de Drax, o que marcará a todos são as fragilidades íntimas demostradas aqui por Chris Pratt, Zoe Saldana e Dave Bautista. E quem diria que Michael Rooker, cujo Yondu no primeiro filme não ia muito além de um personagem canastrão, roubaria tanto a cena e com diálogos tão impactantes?

O filme não deixa de ser um espetáculo visual. Temos uma direção de arte que cria mundos completamente distintos e igualmente incríveis, com a arquitetura do planeta de Ego se destacando, com influências indianas e orgânicas (vejam que o piso de um edifício central tem axiomas!). A fotografia sensacional se mostra saturada de cores que beiram a barreira do psicodélico, mas já de inicio, quando uma batalha absurda irrompe entre os Guardiões e o monstro, ela já dá o recado que o filme se focará em aspectos mais pessoais – e o dourado e o azul que refletem na pele de Peter espelham suas heranças conflitantes, mostrando que tudo foi feito de caso pensado. Todas as grandes cenas de ação da produção são absurdamente diferentes entre si, ao contrário de alguns blockbusters cujas setpieces repetitivas os tornam extremamente enfadonhos.

Outro fator que contribui com a versatilidade da produção é a sua trilha sonora. Em comparação com a fita que Peter escutava no primeiro filme, esse segundo volume é menos impactante e mais reflexivo, mas até mesmo isso faz sentido dentro da narrativa, até porque aquela fita foi entregue para Peter como um presente de sua mãe em estágio avançado de câncer. E sim, mais uma vez os flashbacks com Meredith Quill (Laura Haddock, da série “Da Vinci’s Demons”) se torna parte importantíssima da “alma” da produção, amarrando muito do arco entre Peter e Ego.

Superior ao filme original por explorar ainda mais profundamente os conflitos de seus personagens e dar aos heróis um desafio digno de suas habilidades, “Guardiões da Galáxia Vol. 2” se torna facilmente um dos mais memoráveis longas da Marvel Studios.

sábado, 4 de março de 2017

Freaks and Geeks: A melhor série jovem de todos os tempos




Há pouco mais de 15 anos estreava na TV o seriado “Freaks and Geeks” no Brasil ganhou o titulo de ABORRECENTES.

Talvez você já tenha visto ou pelo menos ouvido falar a respeito. Se a resposta for não para ambas as opções, isso é totalmente justificável. A produção durou apenas 18 episódios, transmitidos nas noites de sábado entre 1999 e 2000 pela emissora americana NBC, e foi exibida brevemente no Brasil no canal pago Multishow. E por um desses acidentes do destino que normalmente ocorrem em um cruel universo movido a números de audiência, o programa foi cancelado antes mesmo do final da primeira temporada.

Hoje é estranho pensar que uma série tão estrelada foi interrompida por falta de um público cativo. “Freaks and Geeks” é um verdadeiro “quem é quem” da comédia holywoodiana recente, a começar por seu produtor executivo, Judd Apatow, responsável por algumas das principais bilheterias do gênero nos últimos dez anos – “Ligeiramente Grávidos”, “Segurando as Pontas”, “O Virgem de 40 Anos”, “Superbad” e tantos outros carregam a assinatura característica dele (hoje, ele também é o produtor do sucesso “Girls”, de Lena Dunhan). Já o elenco principal trazia os ainda desconhecidos James Franco, Seth Rogen e Jason Segel, todos hoje bem sucedidos, onipresentes nas telas e com um punhado de filmes de Apatow no currículo. Paul Feig, ator, roteirista e idealizador da série, também fazia ali sua estreia nos bastidores televisivos. Mais tarde ele dirigiu episódios de “The Office” e “Arrested Development” e atualmente está produzindo a adaptação de “Peanuts” (Snoopy e Charlie Brown) para o cinema.

Foi uma combinação perfeita e que hoje em dia até parece infalível. Apatow precisava desesperadamente emplacar uma série. Feig tinha o enredo pronto de uma narrativa baseada nos fatos de sua adolescência suburbana no início dos anos 1980. Juntos, reuniram um elenco promissor e produziram episódios com forte apelo comportamental, que versavam sobre sexo, drogas, relacionamentos, costumes e inadequação, tudo permeado pelo espírito rock & roll que ainda resistia da década anterior. A sequência de abertura, embalada por “Bad Reputation” de Joan Jett, já dava pistas do que estava por vir. As atuações são irretocáveis, mas é na história e na ousadia com que abordava os temas que “Freaks…” se diferenciava de outros produtos para o público jovem.


Em se tratando de seriados televisivos, nenhum discutiu os percalços da adolescência de modo tão corajoso e descompromissado, lidando bem com clichês e estereótipos e sem apelar para a risada fácil. Como muito bem definiu o leitor @luiz_young, imagine algo bem no meio do caminho entre “Anos Incríveis” e “How I Met Your Mother”. Está muito claro que “F&G” não era uma série de humor, mas também não é possível chamá-la de drama. A história conta a rotina de dois grupos de jovens em Chippewa, cidade minúscula e fictícia próxima a Detroit. Os freaks eram os chapados e arruaceiros que matavam aula para fumar, encher a cara e vadiar. Os geeks eram os nerds desengonçados que tinham problemas em lidar com a pressão de crescer e aparecer em público. No meio dos dois lados está a personagem de Linda Cardellini, Lindsay, que se esforçava para ser aceita pela turma do fundão mas não conseguia esconder a faceta CDF.

“Freaks and Geeks” estreou em 25 de setembro de 1999, e os derradeiros episódios foram transmitidos em outubro do ano seguinte. A produção foi encerrada mesmo sendo um sucesso de crítica (chegou a ganhar o prêmio Emmy de melhor elenco e foi indicado por duas vezes a melhor roteiro), muito porque nunca conseguiu manter um público volumoso e fiel. O culto dos fãs órfãos se manteve ativo nos últimos 15 anos, sustentado por reprises, a disponibilidade no Netflix (nos EUA) e relançamentos em DVD e Bluray (o YouTube traz a maioria dos episódios na íntegra). Ao longo dos anos, os atores e produtores têm demonstrado orgulho do trabalho e até tentam explicar o fracasso. Críticos que aplaudem a série são unânimes em considerá-la injustiçada e à frente de seu tempo. E ainda há quem não se conforme com o fim abrupto – não só entre os fãs, mas também no elenco.


Há alguns dias, Seth Rogen, que fazia o “freak” Ken Miller, declarou que havia enfim encontrado e confrontado a pessoa responsável pelo cancelamento de “Freaks and Geeks”. No dia seguinte, o ator de “Segurando as Pontas” deu uma entrevista na qual relatou que o tal executivo da NBC tentou justificar a decisão, alegando que “Judd [Apatow] não escutava meus comentários” e que via como um problema o fato de os protagonistas sempre se darem mal.


Garth Ancier, o executivo em questão, acabou se pronunciando no Facebook após o primeiro comentário de Rogen. “Como eu falei, meu único comentário para Judd Apatow sobre a série era que tanto os freaks e/ou os geeks deveriam vencer os garotos cool – especialmente porque Apatow tem seguido esse conselho em todos os filmes de sucesso que fez depois”, escreveu. Ele acrescentou que “absolutamente odiou cancelar este programa. Era claro desde o começo que 'F&G' tinha um ótimo texto de Judd e Paul Feig e um elenco incrível. Foi uma decisão horrível que tem me atormentado para sempre… Mas era o programa menos assistido da emissora.”


Mais tarde, Ancier escreveu mais um post, dessa vez reclamando da reação de Rogen na entrevista: “Novamente, peço desculpas aos caras muito talentosos que fizeram essa série tão divertida de se assistir. Na minha próxima vida eu irei revivê-la na TV a cabo!” E assim, de um jeito agridoce, encerra-se definitivamente o assunto “Freaks and Geeks” na grande mídia – pelo menos até a série completar 20 anos. O culto dos fãs devotos, porém, tem tudo para seguir firme.